O tempo estava bom para conversas. O sol não estava forte e o risco de chover era mínimo. Se bem que nessa pequena cidade nunca se sabe definir o humor do tempo. Ela não o chamara, mas ele foi. Queria que o dia anterior se repetisse.
A moça se encontrava olhando para o mar, sentada em uma cadeira dobrável cor de rosa. As abas do grande chapéu de palha se mechiam como as ondas e se ela não o segurasse ele voaria para longe.
O moço chegou e desdobrou uma cadeira ao lado da cadeira cor de rosa. Não falou nada até fazer sua mão encontrar-se com a mão dela.
- O mar é só uma versão mais molhada do céu.
E assim realmente parecia. O azul era infinito e compará-los com os olhos dela seria clichê, mas eram realmente da mesma cor. Ela sabia que tinha um corpo perfeito, mas se esquecia disso constantemente. Ela olhou e sorriu, sabia o que ele queria dizer.
Os elogios não eram necessários, nem os olhares trocados. Era uma relação diferente, já sabiam que um precisava do outro sem saber como.
Tudo o que ela queria era segurar a mão do moço com carinho. Talvez comprar um trailer e ter um bebê de olhos coloridos e bochechas rosadas. Enquanto isso não queria que o moço fosse um bobo e que não franzisse tanto a testa, seu sorriso era bonito e vivia lá, entre as orelhas, debaixo do nariz.
A conversa foi longa e eles ficaram lá até a água salgada tocar-lhe os pés, depois cataram conchas e fizeram um castelo. O céu molhado ficou laranja e vermelho. Algumas perguntas foram respondidas, outras perguntas foram feitas e as respostas ficaram pro dia seguinte. Mas esse que é o maravilhoso de se conhecer alguém.
- Eu te esperei sentada aqui por anos, ainda bem que não enferrujo e que sol sempre se põe.
- Ainda bem que dá pra ver seu chapéu de longe.
sábado, 9 de maio de 2009
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Eu tinha escrito um comentário bem mais cedo, com direito a eu cantando Folding Chair na parte do "they do... doooo-ooo-ooo" toda serelepe pelo blog, mas faltou energia em Seropédica e eu perdi. Bom, então, eu vou ser bem resumida no meu comentário: que FOFO, P! Principalmente esse final. "Ainda bem que eu não enferrujo".
ResponderExcluirSó me fez ter vontade (mais do que eu já tenho) de ouvir Regina!